domingo, 11 de julho de 2010

caminho de casa.com

Gibran says: Oi! Tudo bem?

Janaína says: Tudo ótimo! E vc?
 
Gibran says: Tudo bem tbm

Gibran says: Adorei ter te visto na praia, sempre linda e o sol brilha em vc

Janaína says: Mas vc nunca me viu!

Gibran says: Vc vive nos meus sonhos, só teclando... acabo confundindo com a realidade. lôco pra te conhecer, pessoalmente
 
Janaína says: :)

Gibran says: Se importaria em ir comigo ao meu ap para batermos um papo legal?
 
Janaína says: Q tal um barzinho? rsrs

Gibran says: Insisto, gostaria que conhecesses meu ap, minha mãe fez uma bela decoração
 
Janaína says: Nome completo, identidade, cpf... rsrsrs

Gibran says: Gibran Ramzi Mustafá

Janaína says: hummmmmm

Gibran says: Prazer madame

Janaína says: Idade...  O q faz?

Gibran says: 34, sou motorista. [risos introspectivos, ele não é motorista] E vc?

Janaína says: Professora, 28

Gibran says: Você deve ter jeito com as crianças

Janaína says: Trabalho com adultos

Gibran says: Ah... sim, leciona o q?

Janaína says: Matemática

Gibran says: Tenho dificuldade na matemática, a informática me deixou acomodado

Janaína says: Infelizmente, tenho que ir

Gibran says: Pode me dar seu celular?

Janaína says: Tudo bem. Anota aí: 5578919...


Conversa com + 5578919...


+ 55...: Choro no caminho de casa!
Eu(Ana): Quem é?
 
Eu(Ana): Desculpa não conhecer esse número, mas vc tá precisando de alguma ajuda?

+ 55...: Desculpe! eh que esse número era de uma amiga minha... quem é vc?

Eu(Ana): Eu me chamo Jade, provavelmente vc não me conhece. Percebi q era uma mensagem enviada errada, mas fiquei preocupada. Seja lá o q tenha acontecido, fique tranquila ou tranquilo, siga sempre em frente, não pare nos buracos da vida, adiante sempre haverá verdes caminhos. Fique bem!

+ 55...: Obrigado! mas o que vc faz? qual a sua idade?

Eu(Ana): Eu tenho 32. E vc, quem é?

+ 55...: Gibran, 34. o que vc faz?

Eu(Ana): Ah...eu sou professora [risos introspectivos, ela não é professora], fiz doutorado em letras. E vc, faz o q? Está melhor?

Eu(Ana): Pera... Caminho de Casa... Vc estava se referindo ao bar?

+ 55...: Sim! rs... e o choro é o grupo de chorinho... rs. vc tem msn?

Eu(Ana): Rsrs... Ahh tá... Tenho sim, anota ai: ...

        
"Farto de ver
a visão que se reencontra em toda a parte.
Foto: Flávia Tais Mucarzel Rosa
Parque Güel / Barcelona
Farto de ter
o ruído das cidades, à noite, e ao sol, e sempre.
Farto de saber 
as paradas da vida.
– Ó Ruídos e Visões!
Partir para afetos e rumores novos."
            Rimbaud.
 

domingo, 11 de abril de 2010

Para Romualdo Santana

Outro dia, voltando do trabalho...
Aquele TOC TOC TOC TOC, sem fim...

Concentrei no ritmo e no som dos passos do meu sapato. Os pés já calejados insistiam, persistiam firmes no TOC TOC do salto tentando se equilibrar na calçada de pedras.

Por que existem pessoas que lutam pelo seu, destruindo o que pertencem a outros? Esse dia foi muito complicado... Ainda não entendo como lidar com tanto egoísmo, falta de ética e desrespeito. Ser humano é bicho que se comporta como se vivesse num aquário. Já viu, peixinho disputando aquelas rações aquarianas? Acho que brigam por pouco porque só tem aquilo mesmo, vai se contentar com o quê? Tem gente que quando precisa corre e pede socorro, mas quando é pra socorrer sabe inventar uma bela desculpa. Tem gente que faz questão de ser esperto. Por momentos de prazer? Para alisar o ego? Só queria saber se o valor, seja lá qual for, realmente vale o sabor de ver os outros protagonizando o papel do cocô do cavalo do bandido. Que esperteza é essa? Saborear a merda dos outros?

Questionar só estava me dando dor de cabeça, o que desconcentrava a passada. Voltei a me equilibrar no TOC TOC TOC TOC do meu salto, nas pedras molhadas da chuva.

Lembrei como havia sido difícil chegar até ali. Lembrei do meu sapato folgado que mais parecia uma prancha de surf e me arrastava pela rua. Troquei! Por outro, um pouco mais apertado, que me deu firmeza e bons calos nos pés. Onde eu posso encontrar a numeração 34,5? Tem alguém que ainda faz calçados por encomenda? Será que é muito caro? Lá ia eu, pensando nos acontecimentos... E o TOC TOC me lembrou que era necessário chegar sem maiores acidentes no percurso, já me bastavam os calos.

Concentração, sem perder o ritmo, o balanço, a dança... Na chuva... Não, chuva não! Lá ia eu, novamente, romanticamente, numa hora daquelas, recordar o filme “Dançando na chuva”. E é esse mesmo o nome? Quem era mesmo aquele ator? A música era tão linda! ... TOC TOC TOC TOC

Não pare, não pense, mantenha o ritmo, equilíbrio, concentração, você precisa chegar, no lugar onde o barco alcança a linha do horizonte. E quando o vento soprar contra, corra, se possível for, sem salto e sem calos.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

"E de que serve um livro, sem desenhos ou diálogos?" (Lewis Carroll)


Palavras apagadas,
páginas arrancadas,
nada.
O silêncio dói,
muito mais do que qualquer injúria.
Silêncios do sempre.
Silêncios temporários.

E de que serve um livro em branco?

Para cada momento,
o conforto da falta só se dá com o tempo.
Um dia, depois outro e outro e mais outros.
Até as memórias tomarem conta
de um espaço que só a elas cabem.
É necessário aprender a preencher nossos vazios,
porque é preciso viver.

Recriam-se fantasias.
Reinventam-se memórias.


É preciso renascer todos os dias,
acordando com a alma,
os sonhos que desejamos viver,
as palavras que pretendemos rabiscar,
a aquarela que arquitetamos colorir,
o livro que imaginamos escrever,
e a presença que queremos ser.

No mundo de Alice tudo é possível!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O Brasil à Luz de Zé


Quem se reconhecia num Brasil litorâneo, do samba carioca, do carnaval, do futebol e de Carmen Miranda? Homogeneização e unidade cultural prestavam serviços aos interesses da política integralista e nacionalista de Getúlio Vargas, a partir de 1930. Os versos de Zé da Luz trazem uma reação diante das identidades instituídas pelo Estado Brasileiro. Ele nega o nacionalismo getulista, ao mesmo tempo em que cria suas próprias representações, apresentando outro sentimento de nacionalidade, como uma possível resposta ao que lhe é imposto. Zé dá luz a outro Brasil e reaviva a ideia de que o sertão seria a raiz da brasilidade, ou, como diria Euclides da Cunha, “a rocha viva da nossa raça”.
 
 
 
O qui é Brasí Cabôco?

É um Brasí deferente
Do Brasí das capitá.
É um Brasí brasilêro,
Sem mistura de instrangeiro,
Um Brasí nacioná! (...)

É o Brasí sertanejo
Dos côco, das imboláda,
Dos samba, dos rialêjo,
Zabumba e caraxá!

É o Brasí das vaquêjada,
Do abôio dos vaquêro,
Do arranco das boiada
Nos fechado ou tabulêro! (...)


Brasí cabôco não come
Assentado nos banquete,
Misturado cum os hôme
De casáca e anelão...

Brasí Caboco só come
O bode seco, o feijão,
E as vez uma paneláda,
Um pirão de carne verde,
Nos dias das inleição,
Quando vai sirvi de iscada
Prôs hôme de pusição!

Brasí Caboco não sabe
Fala ingrês nem francês,
Munto meno o purtuguês
Qui os outro fala imprestádo...
Brasí Cabôco não iscreve;
Munto má assina o nome
Pra vota, prumode os home
Sê Gunverno e Diputádo!

Mas porém, Brasí Cabôco
É um Brasí Brasilêro,
Sem mistura de instrangêro
Um Brasí Nacioná. (...)


Dentre as representações destacadas, as questões sociais estão fortemente marcadas, evidenciando um Brasil analfabeto, sem políticas públicas, o Brasil da fome, um Brasil da luta. Nesse contexto, a poesia de Zé da Luz representa a resistência a uma política excludente, tendo na valorização da identidade sertaneja o seu mais precioso trunfo. Os versos de Zé da Luz são, pois, gritos que simbolizam a existência e a resistência. O sertão pulsa nas suas palavras.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Simples assim.

A imagem parecia uma obra de arte. O beija-flor estava bem ali na minha frente, provavelmente, vidrado no vermelho intenso da carteira que em minha mão chamava sua atenção. Romanticamente, acreditei na possibilidade de ser eu o atrativo do pássaro. Pobreza de minh´alma, o vôo encantador era, simplesmente, para uma cor. Tão rápido, num breve piscar de olhar, o beija-flor, na sua agilidade irrequieto, parou ali e eu, fotografei na minha íris a beleza da simplicidade da voluntariedade de seus movimentos.


O beija flor me encantou num piscar ,
 esse gatinho num olhar.
Tão simples como respirar,
a vida nos ensina a amar.


Foto: Flávia Tais Mucarzel Rosa
Parque Güel - Barcelona